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abrindo a conversa
O governo Binho
As mensagens seguintes são anotações feitas em duas reuniões, onde as pessoas foram convidadas a falar sobre as características desejáveis para o próximo governo do Acre, liderado pelo Binho Marques. Fiz apenas uma breve revisão para retirar excessos e repetições. As anotações foram feitas pelo Irailton Lima.
Atenção. Os textos não foram revisados pelos autores, são apenas anotações feitas enquanto as pessoas falavam. Estão, assim, sujeitas a erros e imprecisões. Servem para abrir a conversa, nos fazer refletir sobre algumas questões, mas não são posições a ser defendidas ou criticadas. Portanto, peço aos que comentarem levem isso em consideração e que sejam, também, simples e livres para que a conversa possa fluir agregando idéias interessantes e positivas.
A pergunta á: quais os valores, idéias, pressupostos, que devem nortear o próximo governo do Acre?
Escrito por Antonio Alves às 16h50
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Primeira reunião - quinta-feira, 27/04/2006
Pressupostos político-filosóficos do novo Governo
Roney - É preciso consolidar o Desenvolvimento Sustentável. Uma parte foi feita até aqui. Agora é hora de consolidar.
Denise - A sensação que se tem é que será um Governo que poderá trabalhar PROCESSOS. O difícil é que as pessoas ficam ansiosas por resultados práticos. Vai ser preciso demonstrar que o processo gera resultado consistente, mesmo não sendo resultado MEGA.
Rego - O principal papel do gov Binho é reconstituir a nossa utopia; não basta falarmos em Des. Sustentável. Ele tem muitas nuances; de muitas formas o desenv pode ser sustentável. O gov Binho deve situar o lugar do homem no nosso desenvolvimento. Ele deve responder: no que faz, em que promove o homem, as pessoas? Deve promover o homem acreano, na sua condição de membro de um universo cultural próprio. Deve ser capaz de trabalhar para esse homem que tem identidade própria. Nossa sustentabilidade deve perceber isso – a relatividade da condição humana.
Léo - Deve ser um Governo que perceba a necessidade de promover bem estar, com cultura p. ex., ao invés de concentrar recursos em medidas de segurança (presídios...). Deve ser capaz de reconhecer as competências das pessoas. Devemos passar do Governo da floresta para o estado da floresta. Num primeiro momento, trabalhamos Governo da floresta, economia da floresta e sociedade da floresta. Cada um evoluiu diferente. O desafio é o despertar da sociedade da floresta. Deve ser um Governo de criação e criatividade. Dos opostos que se cruzam e buscam gerar soluções. Deve ser um Governo jovem – por promover o protagonismo jovem, etc. Para isso, é preciso rever nossa política de comunicação. A comunicação do Governo, p. ex., nega ritmos – ritmos são exemplos do poder criador. A periferia cria ritmos que não são os da intelectualidade. O Governo deve ser de todo mundo. 600 mil governadores. É preciso despertar o poder criativo da juventude. A capacidade de ousar. A escola deve ser uma casa comum, em que a comunidade esteja dentro dela. Deve ser um centro da juventude. O jovem deve ir para ela sem temor, porque é respeitado na sua forma de ser.
Raimunda - “É preciso ter uma nova concepção de exercício do poder. Precisa ter participação e concertação constante no processo de governar. Hoje se leva o processo de Governo a ferro e fogo. Já nem consegue levar em conta as necessidades das pessoas. Espera-se que Binho não mude sua concepção de poder. Porque o poder muda as pessoas. Outra coisa a considerar: não vamos nos perpetuar no poder. Por isso, se no GJV houve melhorias, elas não são políticas públicas consolidadas. As melhorias para os pobres, p. ex., são melhorias de Governo, não permanentes. É preciso promover educação e crescimento da consciência política das pessoas como cidadãs, para que elas tenham como opinar e participar na gestão do Governo.
Toinho - Nossos processos mentais – princip quando a gente pensa instituições – nos levam a certos padrões já incorporados. Muitas vezes os programas, as soluções que sugerimos, são como o cachorro correndo atrás do próprio rabo. Nós estamos diante de um problema muito maior do que visualizamos. Por ex., nessa campanha vamos ter que nos desviar dos pedaços da conjuntura nacional, por conta das lambanças do pessoal de BSB. Se olharmos, o próximo verão... sofro só de lembrar o verão passado. Nunca vi um verão tão seco. Diz-se que o próximo será ainda pior. Estamos diante de um quadro bastante complexo, de mudanças, rupturas do tecido social e natural, da realidade... Como vamos equacionar essas coisas? Um Governo pode fazer muito pouco. Mesmo assim, primeiro: deve criar possibilidades de resistir, ambientes, espaços de resistência às graves mudanças no planeta. Depois, ampliar os espaços de participação, de presença das pessoas no Governo. É preciso acabar com essa separação entre centro e periferia. A TV Aldeia faz estética bonitinha, bossa nova, e não ouve a periferia. No passado, via-se que se não mexesse no HOSMAC, pousada e presídio, seria Governo fracassado. Somente agora está sendo feito alguma coisa. O Binho acha que será o Governo da política social. BID é produção. BNDES é infra. BIRD será do investimento na política social. Isso não é suficiente. O próximo Governo deve trabalhar na mudança de mentalidade das pessoas, na formação – não na escolarização apenas. As soluções que estão sendo geradas não resolvem. Na floresta, por exemplo, tem-se dificuldade de migrar da engenharia florestal para a antropologia – quem dera para a psicologia! São necessários: 1. O novo Governo deve ser menos show – deve aparecer menos. As pessoas, a sociedade é que deve aparecer. 2. O novo Governo deve ser capaz de amar os inimigos, de dialogar com quem não está gostando, de sentar à mesa, de perceber as razões das pessoas... isso significa uma inversão na hierarquia. O governador deve ser o servidor público número um. Deve ser um Governo de servir. E isso deve vir do coração. 3. No acre só tem Governo. É preciso criar uma agenda de compromissos. P. ex., a Assoc Comercial deve se reunir e assumir um compromisso com o Governo e a sociedade (atender bem, não enganar o cliente, etc...). Os professores devem se reunir e dizer... os pais dos alunos... Devemos reunir as pessoas para que elas digam o que vão dar – não só o que querem/precisam... daqui por diante deve-se focar nesse tipo de formulação, para fazer as inversões – da democracia, da hierarquia, do poder.
Escrito por Antonio Alves às 16h41
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Marcos Afonso - Faz tempo que deixamos de conversar. Isso é muito ruim. A sociedade acreana está esquizofrênica. Ela se sente com auto-estima maior, mais localizada, mas está distante... isso pode ser um paradoxo. Na periferia, as pessoas valorizam outras coisas. O contato pessoal, visual. Elas podem até gostar (do Governo) mas não querem se envolver... podem votar em outro porque conhecem mais a ele. É mesmo preciso resgatar nossa utopia. Resgatar a radicalidade democrática. Esse é o momento de dar um salto nisso. Precisamos universalizar a cidadania. A cidadania deve ser completa. Não podemos nos contentar com duas políticas, que a sociedade já cobra. Nosso partido gasta uma energia imensa com ele mesmo. Agora, mais ainda, para consertar as bobagens. Em boa medida, não evoluímos no exercício da democracia. Falando sobre a juventude, ela está desencantada com o PT. Para ela, é tudo igual. Em resumo, qual é a direção que vamos dar? Ou, o que vamos ressuscitar dentro de nós? Precisamos nos encantar novamente. Porque se não, não teremos capacidade de encantar os outros. Devemos dizer às pessoas que elas vão governar. Como dizer isso a elas? É preciso usar a linguagem correta.
Denise - Estamos passando por processo de mudança muito forte, que terá impacto nos próximos quatro anos – inclusive cultural. As mudanças econômicas, globais, impactam inclusive as periferias. A juventude tem muito disso. Não pode mais ser só Governo. E isso tem que ser trabalhado para a juventude, urbana e rural. E preciso fazer pensar, fazer com que eles tragam novas idéias. Isso foi sempre difícil de fazer nas campanhas. Não podemos esquecer as vozes femininas.
Rego - A nossa continuidade deve ser a continuidade da mudança. Na democracia, de quatro em quatro anos a sociedade conversa sobre sua situação. Muitas vezes, porém, o discurso mais significativo é o silencio. Nesses momentos, nosso ideário volta à tona. Na ação de Governo, ele meio que se desvanece. O poder transforma as pessoas. A estrutura o aprisiona. O lugar do homem no nosso desenvolv significa transitar para o Governo do povo da floresta. Deve trabalhar a liberdade de ser, não apenas de ter. O desenvolvimento sustentável deve ser “progresso de liberdade”, qualquer Governo que pense desenv deve levar isso em conta. Deve pensar a floresta, investir no homem, eliminar as privações dele, significa oferecer educação, saúde, arte, alimento. O Governo do Binho deve ser um Governo de criação da liberdade, nesse sentido. A economia deve ser para isso. Ela deve estar, como tem que ser, a serviço da liberdade do homem. A produção material tem que estar a serviço disso. E deve centrar-se na família. Nosso Governo atual tem um desvio de rota em relação ao projeto original. A liberdade é sobretudo cultural, definida nos limites da cultura de cada um. Nosso desafio é criar as condições para termos a liberdade de sermos como nossa cultura nos indica. Precisamos superar o super-poder do Estado, a armadura do Estado. Lá atrás pensamos que o Governo deve ser permeável. É preciso diminuir a distancia entre a sociedade e o Governo. Existem boas experiências sobre isso. É preciso ir para alem dos mecanismos da democracia representativa. O plano de Governo, p. ex., não deve ser lançado. Deve ser construído na campanha, em cada reunião, comício; deve estar aberto ao longo dos quatro anos.
Carlos Franco - O plano deve ter mistura do técnico com o coração. Deve considerar as diferenças das pessoas derivadas das suas experiências, interesses, condição profissional, social... O atual Governo é um Governo estruturante. Como quem compra o carro. Agora precisa da manutenção e gasolina. Em todos os setores. Agora é hora de dinamizar as áreas.
Dande - Estamos falando de um Governo que é nosso. Estamos falando de nós mesmos. É bom que se esteja falando do espírito do Governo Binho. Para isso, é preciso olhar para o que está acontecendo no mundo. Em muitas áreas o mundo tem muito a nos ensinar. Às vezes fazemos mal a transição do local para o global. Deve-se compreender o mundo em seus diversos recortes, também do pt de vista espiritual. E preciso estar aberto para olhar as coisas, fazer “diagnóstico” da realidade, ver o que mudou. Com isso, fazer as análises necessárias. De forma que todos entendam as mudanças ocorridas. Com isso, vamos tirar lições. Aprender com os resultados e com a maneira de gerar, extrair esses resultados. É fundamental, ainda, re-significar as coisas: desenvolvim, família... Ver como as pessoas estão vendo isso, como dar novo valor, significado a elas. Se foi estruturante, era porque precisava ser. Mas, agora, é preciso saber quais são os valores que estão nas pessoas. O que é desenvolver o Acre? Se é para criar estruturas para reproduzir ou intensificar consumos e valores (como os de São Paulo) é isso? Quais são os valores a serem (trabalhados). É preciso enxergar os valores da juventude e trabalhar com ela. Isso passa pela educação, mas não essa educação escolar tradicional. Precisa-se considerar a educação na perspectiva da educação ecológica (Capra). A saúde não deve ser compreendida como hospital e remédio para as pessoas. O pressuposto deve ser o da prevenção. Governo participativo já está desgastado. Podemos começar a falar em governança, que é mais que participativo. A Marina deve ser o paradigma de governança, de participação. Deve ser a referência de construção coletiva.
Escrito por Antonio Alves às 16h40
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Segunda reunião - quarta-feira, 03/05/2006
Roney - Na primeira discussão falou-se muito do super-poder do Governo. Devemos começar pela discussão e superação disso.
Toinho - Isso é essencial. Mas, as coisas não são assim tão lineares. Será que menos governo significa mais sociedade? Quando falamos de governo as coisas não são assim tão determinadas. Governo da floresta, p.ex., não significou governo do PT, nem JV... A questão, então, é como transitar para uma dinâmica mais ampla.
Raimunda - Falando sobre isso, vejo o exemplo da Índia, em que o estado, o poder e a sociedade apareceram como uma coisa tão imbricada com Gandhi; uma experiência que ninguém mais repetiu. Aqui, devemos experimentar um governo com um exercício de poder “terno”, que integre as coisas.
Dande - Vejo que o conceito é o de Governança, pelo que Toinho falou sobre floresta e Raimunda sobre Gandhi. A palavra participação está desgastada, e a gente falou tanto na reunião passada. A Itália, por exemplo, se relaciona com Berlusconi de uma forma que não dá para entender... um pais que é berço da civilização ocidental... isso indica que devemos olhar mais amplo, ver o papel da mídia, das instituições; ver como as pessoas se relacionam com governo, o que elas esperam do governo. Acho que a gente tem que observar essa palavra. Se olharmos para a situação da sociedade neste momento, as organizações, as lideranças, é preciso ir mais fundo sobre o papel da sociedade, das pessoas nela; para que a gente possa estabelecer melhor que mecanismos de relacionamento devem ser criados do poder com as pessoas e das pessoas com ele.
Rego - Na sociedade existem estruturas políticas muito duras. Nossa discussão não pode se restringir ao governo, tem que ser o Estado. Temos que ver é como a sociedade pode ser Estado. E ela já é Estado. São muitas organizações que influenciam - na visão gramsciana de Estado. O Governo Binho pode criar condições para que a sociedade seja estado. Mas quanto mais institucionalizado isso, mais eficaz e efetivo. Só assim funciona. O governo JV começou com esforço de participação, e não andou. Porque a agenda dura da política força a isso. A participação exige mais tempo. Então, a participação tem que ser institucional. Temos que, com coragem, compartilhar o poder. Sobre a cara, deve ser um governo simples, sem espetáculos; mas com grande efetividade social – esse deve ser um conceito chave do novo governo. O simples, mas efetivo, dá grandeza a um governo.
Orlando - Está traçado um diagnóstico. Ficou claro que é necessário estabelecer mais diálogo entre governo e sociedade. Houve deterioração das lideranças. Resgatou-se um pouco a acreanidade, mas a partir das obras e outros, já o protagonismo da sociedade não foi bom, houve retrocesso. É o caso de recuperar isso. Pode até ser que isso não seja apenas aqui. O fato é que não surgiu nenhuma grande liderança. É o caso de estimular os movimentos sociais, as lideranças, para contribuir com o novo governo. A sociedade está acanhada, incapaz de se organizar, de propor; isso deve ser recuperado, para que ela seja protagonista.
Marcos - Qual deve ser a cara do Governo Binho? Deve ser a cara do Binho. É ele que vai dirigir/coordenar o processo. A cara deve ser a da espontaneidade, menos hard, mais leve. O Jorge precisou ser “hard”, para reconstruir as instituições – isso foi necessário. Agora á a hora da espontaneidade. Uma outra característica deve a alegria. Mostrar para as pessoas que é bom ser governo,– nossa geração deve se mostrar assim. Outra é a seriedade. O governo deve ter firmeza. Outra: o governo deve primar pela sustentabilidade cultural. Ser capaz de compreender esse conjunto multifacetado do povo desse canto da Amazônia. Deve ter tolerância com as divergências, com a diversidade; serenidade para isso. Devemos nos chamar de “a floresta da democracia”. Por fim, não pode deixar de ter no governo a ampliação da auto estima do povo acreano. Esse governo deve ser capaz de criar as condições para a superação da esquizofrenia em que vivemos – uns pensando grande, outros lutando para sobreviver. O governo deve criar uma linguagem para os estrangeiros do acre. Outra para os “caseiros” do Acre. Muitos servidores e administradores não sabem nem dar “bom-dia”.
Escrito por Antonio Alves às 16h38
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Toinho - A pergunta deve ser: qual deve ser a cara da sociedade acreana, e como é que o governo ajuda nisso? Antes, portanto, de discutirmos características de governo, devemos pensar nas características da sociedade, para onde vai e como podemos influir nisso. Nós devemos ajudar a criar novas dinâmicas sociais criativas. A sociedade precisa ser criativa. Como o governo pode ajudar nisso? Para ajudar a sociedade a ser criativa, o governo tem que ser criativo. Por exemplo, nós ensinamos mais matemática para o professor de matemática. Não deve ser isso, precisamos é ensinar teatro para o professor de matemática. Precisamos então introduzir “quebras” nas dinâmicas das instituições e dos grupos. É preciso, às vezes, reinventar a forma como esses grupos funcionam (o clube de futebol, p. ex.). É preciso criar espaços de “anarquia” dentro do governo. Espaços de não-governo. É preciso ter alguém como Terri no governo para ser Terri. Toinho para ser Toinho – não chefe de setor, de departamento. É preciso identificar espaços onde isso é necessário e possível fazer. Nas UGAIs, p. ex., é preciso criar dinâmicas de participação, de quebra de hierarquias. É preciso compreender como certas coisas funcionam para desmontá-las, dentro da idéia da microfísica do poder, do Foucault. É possível um hospital criativo? Vi no hospital Sara, em BSB, pessoas poderosas, ricas, ao lado de pessoas simples, num espaço onde tudo é pensado para atender as pessoas. A dinâmica criativa depende de enxergarmos a microfísica do poder em cada aparato, para a gente saber como mexer nele. Precisamos estabelecer meios de participação onde as pessoas que participam “acumulem” maior poder de participação. Teremos que criar mecanismos que sejam capazes de funcionar com quem estiver disposto a atuar nelas. Essas instâncias de participação devem ser como jogos virtuais: lúdicos, participativos, dinâmicos.
Denise - Vejo o Binho uma pessoa suave e firme. Ele tem essa aparente dicotomia. É importante isso aparecer. Tem que ter a ternura, mas também a firmeza. Ele tem a imagem de que vai ser um governo suave, firme e jovem. Sobre criatividade, ela não deixou de surgir – em alguns lugares ela está mais presente, noutras mais presa. P. ex., no meio rural se encontra iniciativas muito importantes. Na verdade, as coisas estão acontecendo, às vezes a gente do governo é que não vê. É preciso reconhecer também que o atual governo gerou uma quebra em muito coisa. No funcionalismo, por exemplo. Houve quebra de mentalidade. E isso precisa ser reconhecido para que o novo governo seja capaz de avançar. Porque são processos que precisam de certo tempo de maturação. Agora, é importante também perceber que há uma visão na sociedade da separação entre governo e sociedade. De mudança das pessoas porque passam a ser governo. É preciso criar as condições para quebrar isso também, o que ajuda para aproximar mais a sociedade do governo.
Roney - Sobre participação, há um sentimento que persiste, que é o da relação patrão e empregado, chefe e subalterno. Nos conselhos ainda persiste a idéia de que as coisas só funcionam com a presença de certos atores, certas figuras.
Léo - Concordo com as falas e vou tentar dialogar com elas. O governo do Binho deve ter a cara da criatividade. O Binho tem mesmo muito de informalidade, porque o atual governo já quebrou mesmo muito da formalidade que havia no passado. Mas há muita distancia entre governo e sociedade. Veja que com Binho há espaço para o diálogo governo e sociedade - para maior protagonismo social. É o caso de se falar então em participação. Parece uma palavra desgastada, mas deve-se pensar nela. Porque as experiências são a da participação das mesmas pessoas, do movimento. Muitos não estiveram nela, não vemos certos atores (pajés, etc). Porque no governo o que vigora é o formalismo. Então é possível apostar na informalidade. Agora, o movimento também não tem se mostrado criativo. O que se faz é sempre a mesma coisa. A internet é um instrumento, porque é informal – há muita informalidade na internet. O governo não dialoga com isso. É preciso avançar nisso. A radicalização da democracia deve representar radicalização de direitos. Por isso, o governo Binho deve ser a cara da inclusão social. Os destaques então são: a informalidade e a inclusão social.
Denise - Não pode faltar ação no setor produtivo rural - mais consistente. Com ênfase na pequena produção.
Escrito por Antonio Alves às 16h37
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Rego - Estamos falando muito em governo, governador. Mas é preciso fazer uma separação. Muitas vezes o governo governa pela aparência. Existe uma distancia entre a autoridade e a fala popular. A distancia entre a informação do poder a informação da sociedade obriga a que o governo deixe de ser governo. Talvez a autoridade deva deixar de ser autoridade. Sempre que alguém faz uma crítica, a autoridade presente assume o discurso da desconstituição da crítica. Outra coisa é a liderança. No movimento hoje há muita liderança que se legitima pelo tempo de serviço. Pessoas que não representam ninguém. É preciso desconstituir isso para o governo poder interagir com a sociedade.
Raimunda - Sobre a radicalidade da democracia, é preciso ver que a democracia não é apenas abrir para a participação constante, é preciso também estar aberto para as críticas, para a posição diferente. O governo deve ser capaz de, diante da crítica, ser humilde para dialogar, para conversar com quem critica. É preciso saber ouvir, respeitar e permitir a fala diferente. Sobre o que não pode faltar, é preciso acabar com a existência de miseráveis. A existência de pobres é difícil resolver, mas miséria nos diminui como sociedade, como governo petista. E o pobre deve ter condições para viver com dignidade, com escola, serviços públicos de qualidade etc. É preciso fortalecer a identidade dos grupos sociais, para garantir participação com dignidade; para que os grupos sociais venham a assumir o governo.
Dande - Deve ser um governo capaz de resgatar a indignação com as contradições sociais. Deve ser capaz de lutar permanentemente pela superação das mazelas, das dificuldades sociais. É preciso que se defina quais são os indicadores e lutar forte para que eles sejam melhorados. Esse novo governo deve ser um governo de avanço, de indignação... um governo que a principal área seja a da cultura. Esse é o caminho, para dar capacidade às pessoas de entender os processos, as relações. O Binho tem a sensibilidade, a experiência e a formação para isso. Devemos ter capacidade de desconstruir para reconstruir. Vamos ter um estado formal que deve coexistir com um estado informal; de estruturas formais, engessadas, com estruturas mais dinâmicas, criativas, da juventude. Um governo que tem que trazer a cultura para o seu cerne. Que trate a cultura como tema transversal, que impregne as outras áreas de governo. Porque para mudar é preciso atuar nos valores. A criatividade e alegria sem dúvidas devem estar presentes. Mas, deve-se ir também para a magia, para a espiritualidade. Por último, deve ser um governo capaz de perceber os fenômenos implícitos e explícitos – veja o caso da comunidade ter dois discursos, um na presença e outra na ausência da autoridade. Sobre sustentabilidade, existe muito dicotomia. O próprio governo não consome produtos certificados. Nos não estimulamos o consumo de produtos socialmente justos. Essa é uma dimensão que precisa ser tratada. Certos indicadores de desenvolvimento demonstram que nossa situação está ficando preocupante; p. ex., o numero de carros, de motos em Rio Branco, indicam problemas. Portanto, é necessário que se saia do ambientalismo para o ecologismo. Cidades insustentáveis geram florestas insustentáveis. O entorno não será sustentável se a cidade não o for. Sobre lideranças, é preciso parar de acreditar apenas no acaso. São processos que podem ser induzidos. Elas surgem da vida, mas também de situações criadas. A igreja, no passado fez isso.
Rego - Sobre liderança, muitas vezes o governo contribui mais deixando de fazer do que fazendo.
Dande - Sto Agostinho disse “é preciso ter liberdade no que não é essencial, rigor no essencial, e amor em todas as coisas”.
Escrito por Antonio Alves às 16h37
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